Flinthook: um gancho, uma pistola de plasma e um artefato que causa distúrbios no tempo

Flinthook, que foi lançado ontem, é um platformer sensacional! Beleza, é fácil afirmar isso, né? Mas eu tenho argumentos! Vamos lá.

Imagine a seguinte premissa: e se um pirata espacial salvasse a galáxia durante uma caça ao tesouro? Foi baseado nisso que a equipe do Tribute Games Inc desenvolveu sua ideia de jogo.

Vamos à análise. Na questão gráfica, não há o que ser dito. O apelo visual do jogo é muito forte, com uma paleta de cores confortável, Flinthook apela ao “pixel art estilizado”, onde várias técnicas e paletas de pixel art são aplicadas à uma resolução relativamente alta, mantendo as principais características desse estilo de arte, porém fornecendo uma riqueza de detalhes que é de surpreender qualquer um. Repare por exemplo na imagem abaixo, como os objetos, possuem uma resolução de detalhes alta e consistente, mantendo a unidade de arte do jogo. Repare também no contraste entre os elementos de fundo e os de frente, passando nitidamente o que faz e o que não faz parte do que compreende as interações do jogador

Como se não fosse o suficiente ter um excelente estilo de arte, no quesito animação é que Flinthook se destaca. Todas as animações, inclusive as cutscenes são incrivelmente fluídas, o feedback visual consegue comunicar ao jogador com precisão os estados de gameplay que o protagonista e os inimigos estão. Com uma intensa aplicação do princípio de “staging” os personagens se comportam de maneira muito dinâmica, dando a impressão de que realmente estão em um palco e que sabem como atuar o papel que lhes foi concebido, com um forte viés cômico. Não tem como não se encatar com essas animações.

Com relação à responsividade e jogabilidade, o jogo é muito fluido, o jogador tem sempre a certeza de que pra realizar uma ação, basta ele inserir o respectivo input. Isso proporciona um nível de jogabilidade que permite o jogador sentir que sim, ele está se comunicando diretamente com o personagem, não tem delay entre um comando e uma ação e o personagem faz exatamente o que o jogador comanda que seja feito, é quase como se não existisse um intermediário entre o jogo e o jogador. Esse é um quesito crucial quando se trata de jogos de ação, pois o tempo de reação é definitivo pra que uma manobra ou uma acrobacia seja realizada. E ainda assim, como vamos ver logo abaixo, Flinthook ainda possui mecanismos para aliviar esse tempo de reação e possibilitar manobras acrobáticas ainda mais impressionantes. Afinal, um pirata espacial tem que saber fazer belas acrobacias em qualquer nível de gravidade, não é?

Vamos agora à um dos quesitos que eu particularmente acho mais relevantes em um jogo: mecânicas. Flinthook possui três mecânicas que são suplementadas por mais algumas outras em um sistema de “aperfeiçoamento de personagem”. São elas:

  • Hookshot
  • Slowmo (slow motion)
  • Aim ‘n’ Shoot

Todas elas orbitando uma base muito sólida de mecânicas que todo bom platformer tem, como walljump, plataformas fixas e moveis, one-way-collisions e claro um esquema de loot viciante.

Com relação ao level design e curva de aprendizagem…Bem aqui confesso que ao meu ver o game apresenta uma pequena falha. Boa parte das mecânicas do jogo, principalmente as que mais interessam pra um jogador hardcore, não são apresentadas ao jogador de forma consistente, como o aperfeiçoamento do personagem. O esquema de seleção de fases não fica muito claro e nem é explicado com clareza para o jogador. A forma como o jogo pune o jogador quando o personagem morre torna ainda mais difícil a compreensão da seleção de níveis, fazendo a curva de aprendizagem não ter uma consistência e nem crescer como deveria ao longo das seções de gameplay, quebrando bastante o ciclo de aprendizagem-desafio. Nada que um reforço positivo não resolva.

Agora vamos aos efeitos sonoros e músicas. As músicas tem fortes referências aos jogos de ação da 4ª geração, porém o compositor estilizou bastante, criando alguns riffs e melodias que fizessem alusão às franquias de piratas atuais. Tente não criar um mapa mental de um certo ~filme de piratas caribeños~ ao ouvir a música abaixo. A lágrima de emoção quase escorre.

Ao longo das fases, as músicas mantém uma batida coerente com a quantidade de reações por minuto esperadas do jogados, fazendo o áudio ter uma sincronia incrível com o gameplay, tornando toda a parte estética do jogo muito harmônica. Nessa próxima “palinha” é possível fechar os olhos e sentir uma nostalgica referência aos jogos de “jump n shoot” da 4ª geração

Tudo isso aliado à um design sonoro simples, porém muito eficaz para os efeitos de som, cria toda a atmosfera necessária para horas de gameplay incessantes.

Veredito final 8/10, e só por causa da curva de aprendizagem que negligenciou um pouco a apresentação de alguns mecânismos essenciais para o gameplay, como a customização e aprimoramento do personagem e a importância dos elementos de interface para a seleção racional dos níveis do jogo. Contudo, o jogo é excelente e tem muito potencial para entreter por horas.

Está absolutamente recomendado, vocês podem encontrar todos os links para adquirir o jogo no site oficial. É isso, divirtam-se!


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